Empresas Turbinam Ofertas de Previdência Privada Corporativa

Júlio César Antunes
7/9/2025 21:00
⏱️ Tempo de leitura: 4 minutos

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Com aporte dobrado e foco no bem-estar, a previdência privada corporativa começa a rivalizar com benefícios tradicionais e promete revolucionar o planejamento financeiro dos trabalhadores.

O aumento dos planos de previdência corporativa revela novo foco no engajamento e retenção de talentos. De 2023 para 2025, a participação de empresas ofertando planos de previdência privada corporativa a seus profissionais subiu de 51% para 53%, o maior índice desde 2019, segundo a consultoria Mercer. Essa vantagem competitiva vai além do salário tradicional. “Funcionários com suporte financeiro dedicam menos tempo a preocupações monetárias no trabalho, e a probabilidade de evolução na carreira é cinco vezes maior”, afirma Tiago Calçada, diretor de investimentos da Mercer.

Além disso, o desconto automático em folha e os aportes equivalentes ou complementares feitos pela empresa potencializam o acúmulo de patrimônio de forma única, um mecanismo pouco replicável em outros tipos de investimento. Para especialistas, esse benefício previdência privada pode praticamente dobrar o valor aplicado pelo trabalhador, sendo esse um dos grandes diferenciais em relação às aplicações convencionais.

  • Segundo a Fenaprevi, já são 2,3 milhões de brasileiros beneficiados por esse tipo de plano, pertencentes a um universo de 2,8 milhões de contratos ativos dentro da previdência privada empresarial.
  • A previdência, porém, ainda perde espaço para vantagens como assistência médica (99% das empresas oferecem), seguro de vida (96%) e odontológico (95%).

A modificação no formato dos planos acompanha o avanço tecnológico e mudanças no perfil do empregado brasileiro.

O envelhecimento da força de trabalho e a busca por autonomia no planejamento de vida intensificaram o interesse por previdência empresarial nas empresas. A pesquisa mostra, também, que 49% dos empregadores que ainda não ofertam o benefício pretendem adotar em breve, 37% em até três anos e 12% já no próximo ano.

Já se observa a transição dos fundos de pensão tradicionais para modalidades de plano de previdência empresarial abertos oferecidos por seguradoras, como PGBL empresarial e VGBL empresarial, que hoje já correspondem a 66% do mercado corporativo. A integração digital entre RHs e seguradoras permitiu padronização e redução de custos operacionais, ampliando a atratividade das ofertas. “A tecnologia padronizou o processo, tornando-o mais confiável e econômico”, pontua Amâncio Paladino, diretor da Fenaprevi.

A adesão ao plano compensa para o trabalhador, desde que haja participação da empresa.

Planejadores financeiros ressaltam que, quando há equivalente da contribuição empresarial previdência (“R$ 1 do trabalhador para R$ 1 do empregador”), a rentabilidade mínima atinge 100%, sem contar outros rendimentos e benefícios fiscais previdência. Alessandro Moreira, da Planejar, afirma: “Os planos coletivos são dos poucos investimentos que entregam ganho instantâneo e disciplina investimento longo prazo graças ao desconto direto em folha”.

Entretanto, é preciso estar atento às regras de resgate: o saldo próprio pode ser sacado a qualquer tempo, mas a parte do empregador só é liberada em aposentadoria ou desligamento, sujeita a condições contratuais. O levantamento revela ainda que 63% das empresas nunca revisou as condições desses planos, sugerindo espaço para maior diversificação de produtos como plano corporativo previdência e adaptação a diferentes perfis.

O avanço dos planos de previdência privada corporativa nas empresas reflete maior consciência sobre o impacto financeiro na performance e saúde mental dos colaboradores.

Com aportes patronais e automação, a previdência se destaca frente a outros investimentos e reforça sua posição de destaque no arsenal de benefícios corporativos. A nova onda do planejamento financeiro no trabalho promete transformar não só o futuro dos colaboradores, mas também a estratégia das empresas na disputa por talentos. A tendência é clara: a previdência privada empresarial virou diferencial competitivo e deve ganhar ainda mais força à medida que envelhecimento e instabilidade econômica cobram resposta eficaz do mundo corporativo.

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Júlio César Antunes
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