Arquivos de Epstein não contêm provas de canibalismo nem ligação com pandemia, diz checagem

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Uma checagem publicada pelo Estadão Verifica apontou que os chamados “Epstein Files" (ou arquivos de Epstein), conjunto de documentos divulgados nos Estados Unidos sobre o caso do financista Jeffrey Epstein, não comprovam alegações de canibalismo de bebês nem de envolvimento de uma elite global no planejamento da pandemia de Covid-19. As informações, que passaram a circular em vídeos e postagens nas redes sociais, foram classificadas como enganosas após análise do conteúdo dos registros oficiais.

Segundo a verificação, os materiais liberados fazem parte de um amplo acervo de documentos relacionados às investigações sobre Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores. O conjunto inclui entrevistas, relatórios, registros administrativos e informações reunidas ao longo de anos por diferentes autoridades americanas, mas não contém provas que sustentem as narrativas que vêm sendo difundidas nas plataformas digitais.

De acordo com o levantamento do Estadão Verifica, alguns documentos trazem menções isoladas a termos como “canibal” ou “canibalismo”, mas essas referências aparecem em relatos não confirmados, anotações de entrevistas ou registros sem validação probatória. O material não apresenta evidências documentais, investigações formais ou processos judiciais que comprovem a ocorrência de rituais envolvendo crianças ou práticas de canibalismo.

A checagem também aponta que não há, nos arquivos, qualquer comprovação de que a pandemia de covid-19 tenha sido planejada ou simulada por uma elite global, como afirmam os conteúdos virais. As publicações analisadas associam os documentos a teorias conspiratórias já difundidas anteriormente, mas sem respaldo nos registros oficiais divulgados pelas autoridades americanas.

O Estadão Verifica destaca que parte dos documentos inclui relatos brutos, informações não verificadas e registros preliminares que não foram produzidos como provas judiciais, o que exige cautela na interpretação do conteúdo. A divulgação dos arquivos, segundo o serviço de checagem, tem sido utilizada fora de contexto para sustentar narrativas que não encontram base factual nos próprios documentos.

Jeffrey Epstein foi investigado por crimes relacionados à exploração sexual de menores e manteve relações com diversas figuras públicas ao longo dos anos. Os documentos divulgados fazem parte de processos e investigações vinculados ao caso, mas, conforme a checagem, não sustentam as alegações de canibalismo de bebês nem de conspiração envolvendo a pandemia, como passou a circular nas redes sociais.

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Francisco Varkala
Redator
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